O primeiro ano de vida

“Uma criança nasceu, o mundo tornou a começar.” Guimarães Rosa

Uma das características fundamentais que diferencia o homem dos animais é o grau de maturidade com o qual nascem os filhotes. O bebê para nascer com um grau de maturidade equivalente ao da maioria dos mamíferos superiores, teria que ser gestado por 20 ou 22 meses. Logo, o primeiro ano de vida é como se fosse um período de vida ainda uterino, mas vivido fora do útero.

Ao nascer, o que está mais desenvolvido no bebê é a cabeça, a parte do corpo que tem mais peso e volume. No entanto, todo o desenvolvimento motor e físico estão apenas começando. Os estímulos do ambiente que chegam através dos sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar; são todos ainda muito novos e requerem um aprendizado, uma identificação e classificação que vai gradativamente acontecendo através da experimentação.

Todas estas experiências sensoriais são grandes estímulos que causam muitas impressões, cansando o recém-nascido que precisa dormir com freqüência para elaborar estas impressões e vivências sensoriais.

Logo, ambientes públicos, barulhentos, com muita luz e muitos estímulos, podem causar agitação e insônia. Após os três meses completos esta exposição deve acontecer de forma gradativa, sempre observando a necessidade do bebê de descanso, de elaboração dos estímulos recebidos. Desta forma a criança poderá se acostumar pouco a pouco com agitação e movimento.

O ser humano é um ser social, o que quer dizer que nós precisamos nos relacionar com o outro para desenvolvermos nossas características humanas.O recém-nascido é completamente dependente dos cuidados maternos ou de um adulto cuidador, e esta dependência não é apenas de cuidados básicos, mas de atenção, carinho, modelo e identificação que são indispensáveis para o bom desenvolvimento físico, emocional e cerebral da criança.

O desenvolvimento sadio se dá a partir do vínculo de referência estabelecido com o adulto cuidador. Logo, é possível prevenir ou minimizar os efeitos da institucionalização precoce de crianças aumentado a proporção do número de funcionários de acordo com a quantidade de crianças, garantindo que as crianças tenham um cuidador principal, e outro secundário que conheça o desenvolvimento infantil e esteja qualificado para promover a estimulação e os cuidados adequados.

A médica húngara Emmi Pikler também recomenda que o bebê em uma instituição de acolhimento tenha um cuidador de referência para que este vínculo possa ser estabelecido promovendo confiança e segurança como uma base para o desenvolvimento infantil.

Patrícia Gimael

Psicóloga com licenciatura pela UNESP – Bauru, bacharelado e graduação pela Universidade São Marcos – SP. Tem formação Junguiana, em Psicologia ampliada pela Antroposofia e em Formação Biográfica. Desde 2010 tem participado ativamente de cursos, no Brasil e no exterior, sobre a Abordagem Pikler, consagrada pedagogia voltada para crianças de 0 a 3 anos. Atende crianças em consultório particular e realiza orientação aos pais desde 1996. Desenvolve, coordena e é docente em projetos de formação continuada para professores da rede pública e privada de ensino com base na Pedagogia Waldorf, no estudo do desenvolvimento infantil, na neurociência e na Abordagem Pikler.

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